Na hora das compras é sempre assim: a gente chega no caixa para
pagar e daí vem o dilema: qual a melhor forma de pagamento?
"O objetivo é o desconto. A melhor forma é mostrar o dinheiro.
Isso impressiona, porque o dinheiro impressiona, o dinheiro
não volta", explica o economista Luís Carlos Ewald.
Se você não tiver dinheiro, a segunda opção é:
"Pagando à vista, você pode pagar em cheque. Mas vai ter que
ser consultado, cheque vai pagar CPMF. Daí a chance de você
conseguir um desconto é bem menor", diz o economista.
Imagine
então se a opção for o cartão de crédito!A
empresa está pagando comissão para a empresa de cartão de crédito.
E quando você paga com pré-datado, olha só o caminho que ele
faz. Do caixa da loja, ele vai parar no caixa do banco bem antes
da data prevista. Na verdade, é o banco que "segura" seu cheque.
E claro, cobra por isso. E o lojista repassa esse custo para
você, consumidor!
Às vezes, as formas de pagamento são tão irresistíveis.
"São irresistíveis, mas são um cupim para o seu bolso", observa
o economista.
Quanto maior a tentação, maior o cupim! Por trás de todas essas
formas de pagamento, existem armadilhas, como o pagamento em
parcelas sem juros. Até quantas vezes sem juros a gente pode
acreditar?
"De fato, não pode acreditar em nenhuma.Tem seis vezes, oito
vezes, dez vezes, mas os juros estão embutidos. O preço à vista
foi aumentado para poder bancar o prazo", garante o economista.
Na verdade, você mereceria um desconto se estivesse pagando
a vista. Se não der desconto à vista, compra a prazo que é vantagem!
Mas nunca deixe de pechinchar! O desconto no pagamento à vista
deve ser proporcional ao juro que seria cobrado nas parcelas.
Um exemplo:
Duas vezes sem juros, com a primeira entrada é um clássico.
Você pega um vestido de R$ 100, que pode pagar R$ 50 de entrada
e R$ 50 no mês que vem. E se pagar à vista tem 10% de desconto.
Prestou atenção? Estão te oferecendo um vestido que custa R$
100. Mas se dão 10% de desconto, na verdade, o preço real dele
é R$ 90. Se a loja está te dizendo que não cobra juros, o correto
seria pagar R$ 50 de entrada e R$ 40 no segundo cheque.
"Esses R$ 40 vão se transformar em R$ 50 no pré-datado. Juros
de 25% ao mês, um absurdo! Tem que pagar à vista, não pode pagar
a prazo de jeito nenhum!", diz o economista.
Luís Carlos Ewald preparou uma tabela detalhada para que você
consiga descobrir os juros que estão escondidos nas compras
a prazo. Ela compara várias formas de pagamento e te dá bons
argumentos para negociar um desconto. Mas às vezes, a solução
não está na matemática.
O economista ensina uma dica que pode ser útil para resistir
à tentação de comprar alguma coisa supérflua. Como por exemplo,
uma pasta de dente importada.
Professor: - A dica é andar com uma nota alta. Quanto
é a pasta de dente?
Vendedor: - R$ 5,50.
Professor:
- Pelo menos R$ 5 pode fazer.
Vendedor:
- Não posso.
Professor:
- Vem cá, vou te dar trocado...
Vendedor:
- Não serve.
Professor:
- Então, tá bom. Eu vou levar. Tenho só R$ 50 para trocar. Você
troca?
Vendedor:
- Não senhor, não tenho troco.
Professor:
- Saí levando, tá vendo? Nota grande não troca. Semana que vem,
saiba como negociar suas dividas.
TABELA
DE CÁLCULO DE JUROS
Imprima a tabela e leve na carteira para consultar na hora de
comprar a prazo.
PAGAMENTO COM PRIMEIRA ENTRADA:
Se a vista o desconto for de 10%, a prazo os juros vão ser de:
em 2 vezes iguais - 25%
em 3 vezes iguais - 11,6%
em 4 vezes iguais - 7,5%
Se a vista o desconto for de 5%, a prazo os juros vão ser de:
em
2 vezes iguais - 11,1%
em 3 vezes iguais - 5,4%
em 4 vezes iguais - 3,5%
PAGAMENTO SEM ENTRADA
Se a vista o desconto for de 10%, a prazo os juros vão ser de:
em 2 vezes iguais - 7,3%
em 3 vezes iguais - 5,5%
em 4 vezes iguais - 4,4%
Se a vista o desconto for de 5%, a prazo os juros vão ser de:
em 2 vezes iguais - 3,5%
em 3 vezes iguais - 2,6%
em 4 vezes iguais - 2,1%