Sempre
se olham como inimigos: inquilino de um lado, proprietário do
outro. Agora que o armistício está próximo e a expectativa de
paz passa a duradoura, na medida em que a estabilidade econômica
continuar e em que o governo se mantiver fora do negócio.
Somente
cabe ao Governo – Big Brother – a definição de uma política
habitacional decente, destinando o dinheiro (que deveria estar
guardado para isso) dos Fundos de Garantia e outros para financiamento,
disponíveis a todo tempo e hora, para todos os interessados,
de qualquer classe social, poderem realizar o seu sonho de casa
própria.
É
necessário oferecer ao público uma linha de crédito habitacional
desvinculada da política monetária e que não contenha correções
de valor balizadas pelas indispensáveis correções de rumo de
economia. Chega de TR’s em financiamento, pois estas TR’s embutem
juros reais escorchantes que inviabilizam toda construção civil,
principal gerenciadora de mão-de-obra não especializada no país.
Por aí, se solucionaria de uma só tacada o déficit habitacional
e o desemprego.
Agora
os aluguéis desceram ladeira a baixo refletindo uma mudança
de expectativas por parte dos proprietários, que guardavam seus
imóveis sem alugar, e por parte dos inquilinos que reduziam
suas ansiedade, ambos pressionados pelo ambiente de desaceleração
da euforia econômica.
Na
guerra dos aluguéis, a tensão irá diminuir à medida que proprietários
e inquilinos passarem a se ver como cliente um do outro e puderem,
livres de intervenções, negociar num mercado livre, ofertado
pela real disponibilidade de imóveis, que inclui um número de
unidades fechadas por medo de inquilinos e de leis estapafúrdias.
Pode
reajustar, não pode mais, tem denúncia vazia, não tem mais,
paga carne-leão e compensa no imposto, não compensa mais. Por
essas e outras, ao longo dos anos, é que vários proprietários
se apavoraram, fecharam seus imóveis e, pior, não compram mais
imóveis para alugar! Dinheiro não aceita desaforo!
Recentes
pesquisas de setor indicam que um número maior que 80% dos imóveis
alugados pertencem a proprietários de nível salarial igual ao
dos seus respectivos inquilinos, com a diferença patrimonial
que um é dono e outro é inquilino! Nesse padrão de inter-relacionamento
entre locador-locatário pode se caminhar para condições socio-econômicas
de equilíbrio e de desenvolvimento de uma relação amistosa de
conveniência para ambos os lados.
Não
se pode esquecer, porém, que há vilões nos dois times. Há proprietários
gananciosos e inescrupulosos que não respeitam acordos e contratos,
que abusam da fragilidade da situação e que tratam os inquilinos
como inferiores, que só querem moleza e que não vão pagar nas
datas o que lhes é devido. Daí, cobram multas abusivas, adiantam
prazos e fazem exigências descabidas.
Quando
o fatídico dia 5, data tradicional do vencimento de aluguéis,
cai no fim de semana algumas administradoras abusadas simplesmente
adiantam o vencimento para sexta-feira, alegando que aqueles
cinco dias são liberalidade... Será que algum dia já pensaram
porque existe a prática do dia cinco ou são obtusos mesmo? Isso
é assim porque as empresas têm até o quinto dia útil para pagar
os salários dos seus empregados, que por sua vez são inquilinos
dos imóveis. Nunca vi alguém ter dinheiro para pagar o aluguel
antes de receber o contra-cheque...
No
outro time encontramos também um bando de inquilinos picaretas,
que se aproveitam da situação. Conheço um espólio paulista que
tem algumas casas geminadas para dividir entre os herdeiros
e o spread dos aluguéis das casas iguais varia de R4 46,00 até
R$ 1.800,00 de acordo com a data e/ou o nível de cara-de-pau
do inquilino aproveitador. Há de se convir que com essa mentalidade
de inquilino não pode haver boa convivência.
Existe
uma mania das administradoras preferirem um fiador que seja
proprietário de imóveis, pouco ligando para o cadastro do inquilino.
Assim, vi o locador de um apartamento às turras com uma jovem
e bela inquilina que nunca pagava o aluguel em dia. Até que,
quando o atraso começou a passar dos três meses, o locador ligou
para casa dos fiadores, um coronel (do Exército) e sua esposa
(que aceitara assinar convencida que era para uma antiga funcionária
do escritório em dificuldades). A esposa atendeu, ouviu a história
do atraso e o caso foi resolvido na hora. A partir de então,
o coronel prontificou-se a pagar imediatamente após a comunicação
de qualquer atraso, desde que a ligação fosse feita para seu
escritório, jamais para sua casa...
Atualizado a
partir de artigo publicado no Jornal do Brasil -RJ