O dilema é antigo, mas a indefinição persiste por toda a nossa
vida. O apelo do consumidor é massificante, e é um tal de a
gente sair gastando à toa por aí, comprando toda sorte de quinquilharia
que não sobra nada para poupar. Se quando nada sobra já é ruim,
imagine quando a gente entra no cheque especial ou fica devendo
no cartão de crédito.
A
procura do equilíbrio é tarefa inglória, exigindo uma mudança
de comportamento e um total controle sobre impulsos consumistas
e perfeita administração das datas tradicionais de compras.
Um
consumo por tradição seria por conta daquelas ocasiões em que
somos compelidos a consumir por conta de datas comemorativas:
Natal, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças
( essa recente pressão consumista, difícil de negociar com a
ditadura dos baixinhos... ), Dia de Finados ( o preço das flores
sobe uma barbaridade e, se bobear, reflete no índice de inflação...)
e tantos aniversários(conheço gente que comemora o aniversário
do cachorro, do automóvel e do dia que acabou de pagar o apartamento
pela Caixa...).
Pergunto
eu: que justificativa racional existe para essa febre de presentes
e de gastos? Porque sair correndo para comprar provocando aumento
de preços e inflação? Como vocês já sabem eu só compro ovo de
Páscoa no dia seguinte, quando os preços já caíram pela metade
e tanto faz a grife do chocolate, desde que seja conhecida,
nunca a mais cara (como a tal Godiva, importação de franquia
de deslumbrados emergentes...). Por acaso as crianças já sabem
a diferença de qualidade? Elas querem é a farra de procurar
os ovinhos escondidos, coisa que os pais tem preguiça de fazer...
Impulso
consumista seria o consumo desmesurado, compulsivo e irracional,
que, às vezes, até comporta algo de tradição no comportamento.
Já pensaram quanto custa uma indumentária feminina para ir a
casamento? O tal vestido para o casamento e seus acessórios
sem hoje, na média, na base de uns R$ 1.000,00, para serem gastos
provavelmente em uma única usada, pois, não há mulher que aceite
repetir vestido em casamento.
Já
pensaram quanto renderiam esses R$ 1.000,00 na poupança, pelo
resto da vida? E aposto que, ao invés da sua ida ao casamento,
os noivos negociariam sua ausência por uns R$200.00 em dinheiro
e nunca mas esqueceriam essa ajudazinha...
Na
compulsão ao consumo pela boca, quando um casal vai a uma churrascaria
rodízio com alguns chopes e sobremesa, deixa lá, após gorjeta,
cerca de R$ 80,00. Se fosse a uma fast-food comer um hambúrguer
com refrigerante e sorvete, sobrariam R$ 70,00 para botar na
poupança...
Consumir
para aderir status é outra bobeada. Com o advento das novidades
no mundo da informática, fica feio não ter o seu Laptop, apesar
de um PC em casa. E, agora, tem que ser um Pentium 800 MHZ,
256 Mbytes RAM, 17.2 GigaByte de HD, monitor com tela plana
e kit Multimídia 56x, com Windows’2000, e outros software tipo
Word, Access, tutorias Tecnomatic, Excel, etc. Para que tudo
isso, para quem não sabe nem sair de uma tela congelada, que
no final de um texto deleta tudo distraidamente e fica uma fera
por que não consegue navegar na Internet, pensando que o etc
é um software que não foi instalado...?
Se
fizer as contas, os R$ 6.000,00 dessa parafernália computadorizada
dobrariam seu valor em quatro anos depositados em fundos de
investimentos nas sempre maiores taxas de juros do mundo aqui
vigente, enquanto aplicamos em equipamento ocioso, que nada
mais valem após dois anos de absolescência.
Por
essas e outras, que para aproveitar o dinheiro aplicado, na
antiga inflação, eu agüentava o apelo e só comprava a Playboy
no fim do mês, com o preço fixo já desvalorizado e com desconto
porque já ia sair outro número... Pena que essas jogadas acabaram
e agora tenho que me adaptar aos novos tempos.
Atualizado a partir
de artigo publicado no Jornal do Brasil -RJ